Mensagens ao nosso querido Padre Edwaldo




Dia do Amigo, dia da Amizade
Dia 20 de julho – Dia Internacional da Amizade! Assim como Salomão, podemos dizer “Quem encontrou um amigo, encontrou um tesouro”.  Obrigada, Deus, pela graça da amizade de um Sacerdote que soube ser, um grande amigo! Um grande Pastor!
Divulgamos, a seguir, algumas mensagens das tantas que recebemos. Muitas outras estão no site da Paróquia, pois este espaço é pequeno, para as muitas manifestações de amor ao padre Edwaldo.
Sabemos que muitas mensagens não foram escritas nem ditas: elas foram pronunciadas no batuque do coração! Lá onde dizemos que estão os nossos melhores sentimentos! Foram expressas nas lágrimas, nos abraços, nos aplausos e no silêncio – majestoso silêncio que, nessas horas, diz -  por nós e em nós – o que palavras, jeitos e gestos não dão conta de dizer!

Gratidão eterna a esse Pastor e amigo de todas as horas!
"Pe. Edwaldo representa para mim e minha família uma pessoa queridíssima, uma reserva de força, equilíbrio, fé, amor e amizade. Foram inúmeros os momentos em que esteve conosco a nos animar e ajudar a levantar nos momentos difíceis e também a comemorar com sua alegria e riso solto as alegrias da vida. Nosso muito obrigado a ele por tanto zelo e amor para conosco e ao nosso Pai Eterno por nos ter concedido a graça do convívio com esse Padre Nosso." Maria Helena Ferreira Lima Lins.

"O homem não morre quando deixa de viver, mas sim quando deixa de amar. 
Pe. Edwaldo nos mostrou sempre o amor no ECC e pelo ECC, 
motivo que nos move a continuar e transmitir o 
verdadeiro amor cristão: O SERVIÇO!!!"

Dirigentes ECC





"Todos nós de Casa Forte ficamos órfãos, mas com a certeza 
que seus ensinamentos e exemplos nos guiarão daqui pra frente!!"
                                                                                            Ricardo Monteiro

           “E percebi que a vida dele era norteada pelo altruísmo, pela justiça e pela defesa dos excluídos.
Sua vida estava plasmada numa prática do evangelho, buscando enxergar o Cristo nos menos
favorecidos”.
Padre Deyvson Soares


“O amor de Cristo nos uniu! Estaremos sempre unidos, 
a cada celebração, a cada Eucaristia...”
Doró Meira


“P.Edwaldo para nós, tem um significado especial! Graças a ele tivemos a indicação do
Conselheiro Espiritual da primeira das Equipes de Nossa Senhora. Dando possibilidade ao início
das ENS no Recife. Temos um carinho especial por ele...”
Maria Lúcia e Plinio (Casal que trouxe movimento das Equipes de Nossa Senhora pra PE)



"Pela primeira vez tive dificuldade para escrever um texto para o Folha Forte sobre o Padre Edwaldo (o Padre Nosso, o Meu Gordinho). Já tive alguns textos publicados nesse jornal em homenagem a ele. Sempre que me pediram para fazê-lo, recebi a solicitação com um sorriso no rosto...dessa vez foi diferente. Recebi a solicitação com lágrimas nos olhos. Será o primeiro que ele não lerá. Travei. A mente bloqueou. Aos poucos fui recordando tudo que já escrevi para ele ou sobre ele. Entre risos e lágrimas tentei escrever algumas linhas.
Um nó na garganta, lágrimas nos olhos e um vazio no peito. Não fazia ideia da dor de sentir-se órfã. A dor de não mais tê-lo no Altar, de não mais tê-lo para escutar-me atentamente, a dor de não mais tê-lo para caminharmos de braços dados pela praça, a dor de pensar em soluções para que mais nenhuma das suas obras acabe (ou deixe de ser nossa), que ninguém tenha seu sofrimento aumento pela negligencia ou pelo nosso comodismo...quanta dor.
Cada obra dele tem vida, tem a essência dele. Em tudo o que fez dedicou tempo e amor, muito amor. Com muito orgulho ele sempre declarou que na Paróquia dele todos são iguais. Sempre se orgulhou por reunir a todos ao redor do Altar. Sempre foi e sempre será o nosso patriarca.
Sempre foi tão solícito e fiel a nós que andava para todo lugar com a agenda embaixo do braço. Bastava alguém solicitar um tempinho do seu dia que ali, na mesma hora, sem nenhuma burocracia ele abria a agenda e marcava. E se a necessidade fosse urgente ele desmarcava alguma coisa, atendia durante a madrugada, dava um jeito. Isso nos deixava despreocupados, sabíamos que ele nos tinha como filhos e nos tratava como tal. Que homem, que exemplo.
Certa vez, ainda adolescente, senti pela primeira vez a dor da perda, o amargo sabor da morte. Lembro-me que liguei para ele contando o ocorrido, ele me perguntou onde eu estava e desligou. Nem notei o tempo passar e lá estava ele ao meu lado. Depois de me abraçar até que eu parasse de chorar começamos a conversar. Perguntei a ele se toda vez que alguém morresse eu sentiria aquela dor. Ele deu um sorriso, passou a mão em meus cabelos e respondeu:
“Minha filha, todo mundo que você ama ocupa um pedaço no seu coração. Quando uma pessoa morre, ela leva com ela aquele pedaço, por isso dói tanto. Algumas vezes a dor será menor, outras vezes será maior. Depende do tamanho do pedaço que a pessoa ocupava no seu coração. Mas não se desespere, a pessoa também deixará um pedaço do coração dela com você. A saudade é o custo de amar e ser amado. Um custo justo, minha filha”
Esta explicação me acompanha desde então. Porém nunca fez tanto sentido como na noite do dia 19 de julho. Dessa vez a dor foi (na realidade tem sido) dilacerante. Meu Gordinho levou um pedaço gigante do meu coração. Mas também me deixou um pedaço do dele.
Não tinha como não pagar esse custo. Se a saudade é o preço por esse amor, seguirei pagando essa conta. E sendo grata a Deus por ter tido alguém tão especial em minha vida. Foi mais que o padre, foi meu Pai, meu amigo, meu confidente, meu conselheiro, meu amor.
Não sei como ele conseguia, mas foi presente na vida de todos. Nos amou e nos ensinou a amar o próximo, a partilhar. É chegada a hora de mostrarmos que aprendemos, que o nosso pastor nos contagiou com seu exemplo, que toda a dedicação dele não foi em vão. Sequemos nossas lágrimas, e de mãos dadas sigamos a lutar por um mundo mais justo, como ele sempre fez.
Meu Gordinho, vai guiando e iluminando o teu rebanho. Só o amor será maior que a saudade."
Thais Teixeira (Tatá)



“Tombou uma das árvores de raiz mais Profunda,
 mais forte e mais vistosa desta Praça.”
 Pe. Baronto


"Gratidão é a palavra que desejamos em Comunidade expressar. Gratidão a esse grande servo de Deus, Padre Edwaldo, que tanto bem fez às suas ovelhas. 
Seu sacerdócio alcançou a muitos de nossa Comunidade. Em nosso fiat ao sonho de Deus para nós, estava lá em nossos corações um pouquinho do senhor. As sementes lançadas, muitas delas já deram frutos e reconhecemos no passo de fé que damos hoje, a sua contribuição. 
Tudo começou ali em Casa forte, ali conhecemos a Deus e o senhor foi esse pastor que nos apresentou e guiou até maiores decisões em nossas vidas. 
Na certeza que a Misericórdia de Deus o envolve, agradecemos ao bom Deus pela sua vida em nossas vidas. 
Em nós, Padre Edwaldo, um abraço e até um dia na alegria e certeza do céu.
Com amor e ardor, Deus é conosco" 
Comunidade Deus Conosco.


"Recebemos com pesar a notícia do falecimento do querido Côn Edwaldo Gomes. Ele já vinha há alguns dias em estado de coma na UTI do Hospital Memorial São José e agora descansa em paz.
Sacerdote muito estimado pelos seus paroquianos e por todos que o conheciam, sempre demonstrou muito amor e dedicação à sua vida sacerdotal. Verdadeiro profeta, corajoso, amigo e defensor dos mais necessitados.
Particularmente, sempre tive grande afeto por Pe Edwaldo que me recebeu no Seminário Menor, com 13 anos apenas e me orientou ao longo de minha vida.
Nós cremos na ressurreição e na vida e sabemos perfeitamente que este querido irmão e amigo está agora desfrutando das alegrias eternas. Que seu bom exemplo fique bem gravado em nossas memórias."
Dom Fernando Saburido


"Tinha-o imortal. Não era. O sentimento de orfandade outra vez toma conta de mim. Uma ausência tamanha. Qualquer palavra a ser dita hoje será uma repetição de tantas outras postagens já feitas por aqui. A diferença é a dor de agora. Tivesse eu que resumi-lo numa só palavra seria SABEDORIA. Não há outra melhor. Um líder nato, com virtudes a ofuscar os defeitos. Descentralizador, agregador, semeador, perfeito orador, compreensivo, dono de excelente escuta ("aceito as críticas com muita tranquilidade, mas tragam-me as alternativas viáveis"), cheio de autoridade sem qualquer traço de autoritarismo. Homem sincero, verdadeiro, autêntico, inteligente, culto, perspicaz, dono de senso de humor ímpar. Cavalheiro também. Um padre em todos os sentidos. Durante décadas, administrou com maestria e leveza uma paróquia bem mais difícil que a realidade aparente, unindo ricos e pobres em torno da mesma mesa e da mesma causa ("na minha paróquia não há comunidade desassistida"). Quase sempre a vara para pescar; eventualmente o peixe também. Sim, às vezes era necessário que o alimento antecedesse a vara para que houvesse forças para segurá-la. Tantos problemas alheios para administrar, tantas dores para aliviar. Lutou ativamente pela dignidade das pessoas, pela paróquia, pelo crescimento ordenado do bairro, pela preservação da praça. Um ativista social e político, na mais perfeita acepção das palavras. Incomodou. Incomodou muito, como todo bom cristão deve fazê-lo. Produziu barulho quando necessário. Extremamente respeitado, foi ouvido em outras tantas oportunidades. Não houve uma só vez em que abrisse a boca sem que ensinasse algo. Um (re)conciliador nato. Suas palestras sobre reconciliação, aliás, sempre deixavam a plateia boquiaberta. Padre Edwaldo era "casa cheia", de verdade. Portas sempre abertas, a qualquer hora do dia ou da noite. Batia-se e elas abriam. Sua casa era nossa também. Disponível a todos, ia ao encontro dos paroquianos quando solicitado. Sempre havia um bom conselho, palavras certas, colo, se necessário. Seu "não" tinha gosto de sim, e essa era a melhor parte. Para as situações mais complexas, a resposta: "ame, filha, simplesmente ame...". Nos momentos de dúvida, a pergunta: "filha, isto faz bem ao teu coração?". Suas gargalhadas podiam ser ouvidas à distância. Uma roda de conversa e lá vinha ele com sua bengala a bater nas cabeças que encontrava pelo caminho até entrar no papo. Quantas ovelhas resgatadas nos encontros cheios de reflexão, oração e sorrisos. Glutão por natureza, não adiantava tentar "esconder-lhe" comida. Ele a encontrava e não saía da frente da mesa até se fartar. Nas tantas intermináveis reuniões em sua casa, algumas até tarde da noite, debates, planejamentos, resoluções. Feliz com tanto movimento, criava momentos para a descontração, os "causos" e as gargalhadas, sempre elas. Preocupado em alimentar-nos, abria as portas de sua despensa e punha na mesa o que encontrava. Partilha. Ao final, fazia questão de acompanhar cada um até o portão. Uma facilidade enorme em delegar tarefas, sem perder a liderança. Preparou paroquianos para caminharem sozinhos, cientes de que a última palavra era sua. Na hora da dúvida, no momento do confronto, "vamos ao padre". Ele resolvia e tudo se acalmava. Uma paróquia viva! Uma obra social linda, enorme, durante décadas atendendo integralmente mais de trezentas crianças com qualidade. Uma vida destinada ao serviço ao próximo. Padre Edwaldo era próximo dos paroquianos, ou, como ele costumava brincar, "um vigário amigo dos seus vigaristas" (e todos sempre sorríamos da velha conhecida e repetida piada, mas sempre tão irreverente, quando explicava aos neófitos que amigos do vigário são vigariófilos, mas em sua paróquia eram "vigaristas"). Não admitia ser endeusado ("quem morreu por vocês na cruz foi Jesus Cristo, não eu"). Aplicou verdadeiramente as diretrizes do Concílio Vaticano II, construindo uma paróquia inclusiva, sem rejeições nem preconceitos. Acolhia a todos sem distinção, incondicionalmente ("Jesus Cristo não excluiu; não serei eu a fazê-lo"). Assumiu todas as criticas recebidas por tamanha irreverência, inclusão, coragem. Paroquiana sua, os atos do Papa Francisco que a todos encantam, a mim não surpreendem. Padre Edwaldo os antecipou em algumas décadas em sua comunidade. Seriedade com leveza. Respeito e autoridade com sorrisos. Trabalho, trabalho, muito trabalho, com dedicação e bom humor. Portas abertas. Acolhimento. Serviço ao próximo. Lugar para todos. Era assim. Ele mostrava Jesus Cristo misericordioso, leve, alegre. Livrava os homens de culpas e pesos. Uma obra social linda, imensa, legado de amor. Afirmava que não iria se aposentar nem parar de trabalhar ("tenho a eternidade toda para descansar e nenhuma pressa de chegar lá"). Sabedor de que eu não lhe dizia "não", confiou-me algumas missões cristãs que tentei desempenhar com o amor maior do mundo. Eu sempre voltava para lhe agradecer. No final das contas, as missões eram presentes que só me alimentavam a alma. Padre Edwaldo fez a diferença. Passar em frente à sua casa e saber que estava lá era a segurança. Ve-lo fazendo o trajeto entre sua casa e a igreja, caminhando devagar, contemplando, é uma imagem inesquecível na memória. Em todas as despedidas, um "filha, eu lhe quero muito bem." E um sorriso meu em retribuição, com a resposta: "o senhor não sabe o quanto também lhe quero bem?". Então, um beijo, um abraço, um próximo encontro. Ele em pé, portão aberto, esperando que eu seguisse. A recomendação de cuidado. Uma relação de confiança e afeto mútuos. E um vazio tamanho do mundo agora... 
Meu querido Padre Edwaldo, a eternidade chegou-lhe sem pressa, como o senhor queria. Desfrute-a por merecimento. Com o senhor vai um pouco de mim. Comigo ficará muito do senhor. Descanse. É chegada a hora, meu querido, meu velho, e, acima de tudo, meu padre amigo."
Allana Carvalho



“Padre Edwaldo, nosso guia, nosso mentor, nosso idealizador e amado mestre. Estaremos juntos
e continuaremos firmes no serviço. Como suas ovelhas, seguiremos os seus passos.”
Comissão da Juventude Casa Forte


“Mais que um Padre, aquele pastor que levou Cristo para dentro de minha casa e com o Amor
Dele conseguiu nos transformar novamente numa família Cristã.”
Manuela Ordonho (Buiu)


“Seu ensinamento: Amar até o fim em pessoa.”
Comunidade Lumen


"Ele estava lá antes de eu nascer, abençoando meus pais no casamento (e eu já estava na barriga de minha mãe).
Ele estava lá me batizando, me segurando quando entrei na minha vida cristã.
Ele estava no meu casamento, me guiando para o início da nossa caminhada para ser uma Igreja doméstica.
Ele estava lá sempre me ouvindo, me aconselhando, me ajudando nos caminhos da minha fé (e na falta dela, muitas vezes).Ele teve muitos defeitos (quantas vezes já escutei ele reconhecer isso), mas por suas qualidades ele conseguiu ganhar uma família, que não veio do sangue e sim dos laços que se formaram aos olhos do Pai.
Sim, você teve uma vida de SINGULAR BELEZA.
Agora você nos deixa, mas temos a certeza que agora descansa no Pai, cumprindo uma linda missão evangelizadora aqui na terra.
Pastor, vai em paz. 
Ficamos saudosos, mas certos que um dia nos encontraremos (sem cascudos e bengaladas, faz favor)."
"Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá"
Jo 11:25

Rodrigo Silva (Manga)

“O segredo de ser jovem é ter uma causa a que dedicar a vida. Um homem, um padre, um pai,
que se dedicou a nos ensinar que ser jovem não tem idade.”
Grupo Samaritanos Recife.



"Menina, vai se mudar pra casa de Pe. Edwaldo é?". Escutava isso desde os 10 anos. Batismo, Creche, Casa da Criança Marcelo Asfora, Catequese, Crisma, Encontro de Adolescentes com Cristo (EAC), Encontro de Jovens com Cristo (EJC), Ministério de Artes, Festa da Vitória Régia. Era só o começo. Era o meu momento de apresentação ao Senhor. Momento em que eu passei a descobrir a fé, o amor ao próximo, a caridade em meio aos desafios da vida, mesmo com pouca idade. Quando pensava em desistir, ouvia com uma "bengalada" carinhosa na cabeça: "juízo, minha filha. Você está no caminho certo. Os desafios fazem parte da vida". As portas estavam sempre abertas. Da igreja. Da casa dele e do seu coração. As portas estavam abertas para as confissões e para apostar em nossos sonhos. Foi assim que embarcamos (O Ministério de Artes da Paróquia de Casa Forte) rumo a São Paulo para participar de um festival de teatro sacro. Com a orientação dele. Passávamos madrugadas na casa dele escrevendo o texto, ensaiando; vencendo o cansaço com o propósito de evangelizar através da arte. E ele sempre ali, acreditando em nós.
Na Comunidade Lemos Torres, onde morei por 7 anos, ele era o nosso pai. O pai que defendia. Que brigava. Que estimulava. Ele sempre tratou esse pedacinho de terra como um jardim gigante, e cuidava carinhosamente de todas as flores. Ai de quem se atrevesse a chamar alguém de feio naquela região. Na hora de repreender fazia sem enrolação. Nunca foi conivente com coisa errada. Testemunhou por 40 anos o sofrimento da gente , com água de esgoto dentro de casa, becos apertados, cheias; um amontoado de sonhos "perdidos", que ele transformava em tesouro.
Padre Edwaldo, muito obrigada por TUDO. Que sorte a minha de ter você sempre ao meu lado, durante todo meu processo de crescimento. Em nosso último encontro, com os olhinhos cheios de água pela construção do habitacional Lemos Torres, você me deu um abraço e disse que se sentia feliz por conhecer minha história e saber onde eu estava. E hoje, ao saber que o senhor se despediu de nós, reafirmo em mim o que lhe disse naquele dia: "obrigada por ter me feito acreditar que o sonho perdido já não me pertencia. Que eu era um tesouro". Você estará sempre em meu coração. Descanse em paz.
Angélica Zenith 


“Helena minha amiga, era assim que ele me saudava todas as vezes, em seguida... me dava uma
bengalada e dizia: juízo, juízo.
Saudade.”
Ana Helena Bourbon


"Deus me concedeu a Graça de passar o dia inteiro na Matriz de Casa Forte, no velório de Pe. EDWALDO e participar do cortejo até o cemitério de Santo Amaro.
Foram momentos inesquecíveis na vida de seus familiares, amigos e paroquianos. As Crianças, os jovens, os adultos e os idosos todos choravam a sua partida. Por lá passaram pessoas de todas as classes sociais.
Foi velado desde as primeiras horas de hoje.
Foram celebradas 5 missas. A matriz esteve sempre lotada.
As incontáveis coroas que chegaram ornamentaram os degraus da entrada da
Igreja.
A criação esteve presente durante todo o dia.
Choveu o dia inteiro.
A chuva regava as árvores e as flores.
Foi um dia de singular beleza como tão bem ele dizia.
Como disse Pe.Baronto na sua Belíssima Homilia:
Tombou uma das árvores de raiz mais Profunda, mais forte é mais vistosa desta Praça.
O Pe. Baronto com sua linda voz cantou e pediu que todos cantassem com ele a música de Vinicius de Moraes: SE TODOS FOSSEM IGUAL A VOCÊ.
O céu está em festa com a chegada de Pe. EDWALDO."
Adelbani



"Juízo, juízo"... era isso que ele desejava aos pequenos cristãos, que se enfileiravam na saída da missa das crianças. As mesmas crianças que aguardavam ansiosamente a festa da Vitória Régia para pintar o muro da casa do padre. Essa memória da minha infância certamente está entre as minhas preferidas.
Na adolescência, lembro de gostar dos sermões dele na missa, sempre ressaltando a bondade, a caridade e o fato de que a fé, por si só, não basta. É preciso agir, fazer o bem, ajudar os pobres, praticar a caridade e a tolerância. "Quem comunga não é melhor de que quem não comunga", lembro bastante dessa frase.
Apesar de não me considerar mais católica (apenas cristã), vivi uma fase muito importante da minha vida com o grupo de jovens da igreja de Casa Forte. Brinco que, nessa época, eu praticamente morava na casa do padre - sim, porque eram lá que aconteciam muitas de nossas reuniões. A casa dele era sempre aberta, podia entrar na cozinha, lanchar, usar o banheiro, sentar na sala e conversar - não importando se ele estava em casa ou não, aquele era um espaço de todos nós. Aos domingos, era nessa mesma casa que ele nos recebia quando a gente voltava do nosso "gesto concreto", que podia ser uma visita a um abrigo de idosos ou creche, por exemplo. Ele queria saber os detalhes, incentivava muito. Em um desses dias, porém, ele não nos deixou assistir a missa, pois estávamos todos fantasiados (era dia das crianças e tínhamos visitado uma comunidade carente). "A igreja é a casa de Deus, não podem entrar assim". Confesso que fiquei muito sentida com esse episódio, mas tento entender o lado dele também.
Ao comemorar 50 anos de sacerdócio, realizou uma missa e convidou representantes de outras religiões. Por isso, foi punido pelo Vaticano. Teve que se retratar publicamente e se afastar da paróquia por três meses. Esse fato fez, de um lado, crescer a minha admiração por ele - pois tinha o feito o que sempre pregou: tolerância, bondade - de outro, aumentou o meu ressentimento pela Igreja Católica - ele merecia ser celebrado por esse ato e não punido.
Certa vez, em uma conversa com o nosso grupo de jovens, ele disse que admirava a igreja, mas nem sempre os homens da igreja. Nunca esqueci disso.
Sem dúvidas, padre Edwaldo é um dos homens da Igreja que sempre mereceu a nossa admiração.
Descanse em paz e que seu exemplo não seja esquecido.
Renata Maia (Jornalista – Brasilia – DF)


"Estive  bem  cedo  no velório  de Padre Edwaldo antes  de ir  para  o quartel  e  pude  ver  o corpo  pela  última  vez e no final do expediente  fui  direto  ao  cemitério  aguardar  o corpo  e tomei  muita  chuva  até  o Padre  Dayvson  sepultar  o amigo. ..Enquanto  aguardava  a chegada  do  carro  do corpo  de bombeiros  tive  oportunidade  de conversar  com  pessoas  muito humildes  que  não eram  da paróquia  mas  que  tinham  adoração  por  Padre Edwaldo. ..Um  homem  santo. ..Vai  ficar  na  minha  memória  a confissão  que  fiz  com ele  na semana  santa que  era  como  estivesse  batendo  papo e nos  conhecendo  melhor. Espero  que  a Paróquia  tenha  um  sucessor  à altura."                        
Geninho, Catequista e militar


HOMENAGEANDO UM TALENTO MISSIONÁRIO
                              VIVA PADRE EDWALDO
                                                  José Paulo Cavalcanti Filho
"Padre Edwaldo Gomes, da paróquia de Casa Forte. Foi o mais importante representante na sua época, em Pernambuco, do pensamento de uma igreja mais comprometida com o social. Com dom Helder aposentado, coube a ele comandar as resistências ao conservadorismo que se espraiava. Nessa luta, foi alvo da ira do então arcebispo dom José Cardoso. Sofreu perseguições. E chegou a ser suspenso de suas atividades pastorais. No caso, uma condecoração. A forma tradicional de lembrar amigo tão querido seria falar de como foi uma boa pessoa, ou indicar algumas de suas tantas ações, ou dizer que fará falta. Por aí. Os jornais se encarregarão disso. Prefiro acompanhar o poeta Marcelo Mário de Melo, que recomenda lembrar nossos mortos por seus jeitos de rir. E faço isso pedindo vênia para contar algumas histórias suas.
 1. Vésperas de seu aniversário. Pergunto se gostaria de receber uma Bíblia nova. Algo assim. Pedi sugestão. Ele disse preferir presentes líquidos e certos. Vermelho ou preto?, quis saber. Falou da escravatura. Dos negros que sofriam. Entendi. E, dia seguinte, cheguei lá com um Johnnie Walker black. O pastor gostou. Muito.
2. Conversa em frente à sua casa, numa festa da Vitória Régia. Minha filha Luciana, ainda pequena, e fascinada por sua conversa, disse: “Arretado, padre”. A repreendi: “Lulu, palavras como essas não podem ser ditas a um pastor”. E Luciana, inocente, perguntou a ele: “Arretado pode?, padre Edwaldo”. O pastor coçou a cabeça, pensou um pouco e respondeu: “Pode arretado, merda, bosta, porra e puta que o pariu”. Após o que completou, rindo: “Mas só pode isso, ouviu. Se passar daí, minha filha, é pecado”.
3. Com frequência almoçávamos, domingo, no restaurante Nez. Praça de Casa Forte, quase vizinho à sua casa. Junto com o padre João Pubben, da Igrejinha das Fronteiras. Hoje na Holanda. Abraços, Joãozinho. Conversávamos sobre a convivência entre visões de mundo diferentes, na Igreja. Intimistas, preocupados com uma diocese mais voltada para o espírito. E aqueles da teologia da libertação, mais atentos às carências sociais do seu rebanho. O garçom veio à mesa. Apontei os pratos e perguntei a padre Edwaldo: “O senhor é carne ou peixe”. O pastor, percebendo a malícia nas palavras, respondeu: “Os dois, José (assim me chamava). Os dois”. Após o que deu aquele riso gostoso.
4. No meio de uma conversa, perguntei a padre Edwaldo se existe algum “Santo Edwaldo” na Igreja Católica. Ele respondeu protocolarmente, sem atentar na homenagem por trás das palavras, apenas que “Não”. Depois, pensou melhor e completou: “Ainda não, José. Ainda não”. Risos gerais.
5. Em crise anterior de saúde, estava no hospital. Entrei no quarto e disse, para lhe animar: “Maravilha, pastor. Você, que passou a vida inteira se dedicando ao Pai, vai afinal se encontrar com ele muito em breve. Deve estar feliz”. E padre Edwaldo, fingindo estar revoltado: “Vade retro, José. Gosto muito dele mas penso que não quer me ver agora”. Silêncio. Após o que completou: “Nem eu estou com nenhuma pressa de chegar por lá tão cedo”. E ficamos rindo.
Chegou sua hora, enfim, nessa quarta. Lembro curioso diálogo de Pessoa (“O Marinheiro”): Primeira Veladora: Por que é que se morre? Segunda Veladora: Talvez por não se sonhar o bastante. Bons sonhos, amigo, junto ao Pai. Vai ser um belo encontro, imagino. Saudades do padre Edwaldo."

José Paulo Cavalcanti Filho

Pe. Edwaldo: Uma vida de singular beleza

A família do Sagrado Coração de Jesus perde o seu pai, avó e bisavó espiritual.

"Um pastor que viveu em toda sua caminhada sacerdotal o cuidado com suas ovelhas e a entrega incondicional à igreja de Jesus Cristo.
Hoje a saudade aperta no peito de seus inúmeros paroquianos, que independente do tempo de convívio, tem marcas de sua presença em cada um deles. As lembranças são muitas e muitas são as lágrimas dos seus vigaristas, como ele carinhosamente nos chamava. Todos, para ele, foram singular.
Ovelhas que ele conhecia não só pelo nome, mas por suas histórias, dores e alegrias.
Um pastor que amava os seus: ricos e pobres, velhos e jovens, letrados ou analfabetos. Famílias que ele acompanhava de perto. Que partilhavam suas  vidas, seus momentos mais preciosos.
Sim Pai! Fomos abençoados nesta comunidade de teu Sagrado Coração pelo teu servo fiel que não mediu esforços para colocar em prática a Tua palavra, buscando forças na oração e na eucaristia. Seu zelo pela eucaristia, levava-nos a confirmar a presença viva do Cristo em nosso meio.
Vivia, como poucos, a frente do seu tempo. Falava com uma linguagem própria para os diversos grupos e faixas etárias. Na liturgia, preocupava-se com os ritos sacramentais e com a formação de seus fiéis para bem vivê-los.
Tinha firmeza nas suas convicções e defendia com afinco a valorização da vida. Condenava o pecado, mas acolhia sempre o pecador.
Todo mundo conhecia o seu lado brincalhão, com tapinhas e  bengaladas, chamava a atenção dos seus hipopótamos, outra forma carinhosa de se dirigir aos seus amigos.
Respeitava as diversidades dos movimentos, refletindo sempre sobre suas formas de expressão na paróquia. Sua fé era incontestável! Conseguia ver o Cristo transfigurado ou mesmo desfigurado nas várias realidades.
Orientava a todos a viver e aprofundar sua fé sem cavilações.
Agora só podemos louvar ao Pai, porque através de Pe, Edwaldo, o poderoso fez em nós maravilhas e Santo é o Seu nome.
Ao nosso querido vigário, agradecemos o imenso amor que teve por  cada uma de suas ovelhas! Como profeta do nosso tempo, lutou, arriscou-se, não calou-se diante das injustiças e não escapou da missão a ele confiada, porque a voz do ai sempre ardeu em seu peito.
Nós, seus vigaristas, continuaremos caminhando, levando pelas estradas da vida os seus ensinamentos. Ficará sempre em nossas lembranças seu zelo pelas coisas do alto, sua garra e força para o trabalho incansáveis, seu exemplo de cristão e seu grande abraço de um verdadeiro pai."
Texto: Ana Cláudia (Pata) e Ana Karina Filgueira


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