Mãe, cuida deste povo que é teu


A festa de Nossa Senhora do Carmo nos une a uma longa história que vai muito além de nossa cidade. Este título, dado a Maria, mãe de Jesus, vem de um santuário antigo, situado no Monte Carmelo, região montanhosa de Israel que fica entre o Mar Mediterrâneo e as planícies de Jezrael. Segundo a Bíblia, ali, o profeta Elias orou e profetizou (Cf. 1 Rs 18, 42- 46). Durante os primeiros séculos do Cristianismo, monges viviam em suas cavernas como eremitas e posteriormente consagraram a Maria um santuário, originalmente, consagrado a uma divindade da fecundação. Maria passou a ser o símbolo da maternidade divina que tudo fecunda de amor. Pouco a pouco, aquela imagem da Mãe de Jesus, venerada no Monte Carmelo, passou a se chamar “Nossa Senhora do Carmo”. Esta imagem foi trazida ao Recife pelos queridos frades da Ordem do Carmelo e o lugar central que a Basílica do Carmo ocupa na cidade e no coração do nosso povo fez de Maria nossa padroeira.


Não deixa de ser curioso observar como Recife, cidade plana e onde os rios Capibaribe e Beberibe encontram o mar, pode ser comparada com a árida cadeia de montanhas do Carmelo. Entretanto, mesmo em nosso ambiente urbano e rico em águas, sempre temos que enfrentar certas dimensões de aridez na vida social. Assim como o profeta Elias defendeu o direito do povo pobre de Israel contra a política injusta do rei Acab, o Recife precisa simbolicamente de um novo Monte Carmelo como pólo de profecia para recordar a todos que o direito dos pobres é direito divino. A figura de Maria, Nossa Senhora do Carmo, vestida como monja carmelita, nos recorda: todos nós, homens e mulheres, casados ou solteiros, somos chamados a uma vida consagrada, na qual lutamos contra as dispersões do estilo de vida atual e retomamos ao que é essencial em nossas vidas: a alegria de pertencermos a Deus e sermos testemunhas do seu amor no mundo.

A 315ª Festa de Nossa Senhora do Carmo que tem por tema: “O Recife é todo Vosso, nossa Mãe e Padroeira” e lema: “Mãe, cuida deste povo que é teu”, deseja resgatar a dimensão histórica e espiritual da festa. Está inserida no Ano Centenário de nossa arquidiocese, no momento em que estamos empenhados em estabelecer, nesta nossa Igreja Particular de Olinda e Recife, uma cultura missionária, com a participação de todos.

Não nos restrinjamos à bela novena, procissão e festejos próprios destes dias, mas, retomemos à veracidade e à força da profecia vinda do Carmelo, através dos profetas Elias, Eliseu e de tantos homens e mulheres que se dedicaram à profecia divina. Aqui no Recife, no começo do século XIX, a figura do mártir carmelita Frei Joaquim do Amor Divino Caneca, herói do movimento republicano da Confederação do Equador, nos recorda de que temos de viver a fé no serviço à libertação plena do nosso povo. Que, neste ano de 2011, tenhamos uma boa e motivadora festa e que a padroeira do Recife nos ajude a sermos fieis zeladores/as da nossa cidade e de todo o seu povo, principalmente da nossa população carente que precisa mais de defesa e proteção.
Dom Antônio Fernando Saburido, OSB
Arcebispo de Olinda e Recife
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